Consegues superar-te? Ou vives numa ilusão?

Maria Inês (Mi) mede 168 centímetros de receio. Concluiu o 12.º este ano, e, como os demais finalistas de secundário, procura ingressar na Universidade. 

Provinda de uma família com poucas posses, sempre se tentou superar, ano após ano, na escola. Era uma boa aluna, de facto, mas não brilhante. “Luta pelo teu futuro”, dizia a sua mãe, “sê alguém nesta vida”. Mi desde cedo agarrou tais palavras com “a” vontade: “a” de lutar pelo seu futuro e dar orgulho à sua mãe. Entretanto, a sua mãe começara a planear fazer umas “horas extra” nas limpezas para poder arcar com o buraco negro que é os gastos da vida universitária.

Enquanto futura caloira, e futura-futura enfermeira (quiçá), Mi aguarda inquietamente as suas colocações, enquanto padece de um misto de sentimentos que lhe estão a colocar os cabelos em pé — embora o que mais sobressai é, sem dúvida, a ansiedade e o receio que ele sente por aquilo que o futuro lhe aguarda. “Será que vou entrar? E se deixar muitas cadeiras para trás? Será que vou ter amigos? E se não conseguir acabar o curso?”. O receio transborda, aliás, os 168 centímetros de MI. 

Mas tal tempestade de sentimentos — o receio, a insegurança, a ansiedade, e os demais pensamentos e sentimentos negativos — vão sendo acalmados com outros sentimentos e expectativas mais positivas: o mundo académico é um novo mundo por descobrir; muitas coisas serão diferentes e, esperançosamente, para melhor! “Se calhar”, diz Mi, “até terei boas notas…” — eis que um raio de sol penetrou aquela tempestade.

Mas tal como Mi, muitas outras pessoas sentem-se receosas do (re-)começo de algo: uns porque se lançaram de cabeça na busca por um emprego (seja por terem acabado os estudos ou por procurarem um novo emprego); outros porque vão entrar na universidade pela primeira vez (ou recomeçar a escola); mas o que importa notar é muitas dessas pessoas procuram realizar os seus objetivos — é o caso da nossa Mi, futura-futura enfermeira, como ela muita deseja —; e outros que, querendo superar-se em relação ao ano transacto, encontram-se iludidos — que também poderá ser o caso… de Mi!

Mas o que difere um “sonho-objetivo” de um “ilusão”? Arrisco-me a dizer que muitos de nós já pensou no seguinte: “para o ano é que vai ser, vou tirar boas a tudo e vou arrasar na escola”, ou “este semestre já não vale a pena, mas para o próximo é que vai ser”. Porém, eu, tu, todos nós, sabemos que nada disto se realizará… (salvo casos excecionais, claro). Bem vindo ao mundo da ilusão

Diferentemente, temos um “sonho-objetivo“: o que é isso? São todos os sonhos que temos, cuja realização é planeada em termos realistas. Mi será uma futura-futura enfermeira, dado ela ser uma rapariga muito determinada (embora insegura e cheia de receio); e tu, realizarás os teus sonhos, ou ficarás encantado pela ilusão de que um futuro jackpot te caia do céu? Talvez seja melhor pedir ao feiticeiro de Oz que tê uma ajudinha! Já a mãe de Mi dizia: “ninguém dá nada a ninguém, se o autocarro ( = oportunidade) passou, não volta para trás só por tua causa!”.

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