És um bebé ou és um homem?

No passado domingo estrearam dois programas na televisão portuguesa (“Quem quer casar com o meu filho?”, na TVI, e “Quem quer namorar com um agricultor“, na SIC), que não podem ser encarados indiferentemente pelos portugueses. Quando passei rapidamente os meus olhos nos mesmos senti repugnância. Ao que parece, o sucesso nas audiências é mais importante do que a luta pela igualdade de género…

Para todos aqueles que ainda não viram os programas, eu passo a explicar.

No programa da TVI, a ideia principal do concurso é a seguinte: uma mãe, cansada de aturar o filho solteiro, vai ajuda-lo a escolher, de entre várias mulheres, a pretendente (como quem vai a uma loja escolher de entre um conjunto de camisas que vai oferecer, estão a ver?) que cumpra os requisitos necessários para ser condecorada com o trabalho de ter de cuidar do filho [da mãe]. É uma relação ou uma entrevista de emprego? Quem sabe… “Sabes cozinhar? É que o meu filho tem de ser bem alimentado; Fumas?; Tens tatuagens? É que eu não gosto.; Tens filhos? Se tiveres, aviso-te desde já que o meu filho ainda não tem maturidade para cuidar deles.” Enfim, no final de contas a mamã e o seu filhote procuram escolher a melhor mulher(-objeto) para agradar o macho alfa (incapaz de realizar uma tarefa doméstica) — que é, pelo menos, o que este programa tenta aparentar, porque na realidade não passam de meros bebés cujas mães procuram uma babysitter, para que possa cuidar deles. Acho que as fraldas dodot são sem dúvida uma opção.

Mas não te preocupes, visto que se tiveres com náuseas, podes sempre mudar para a SIC… e aí a merda é a mesma.

No programa da SIC, a ideia é semelhante, se no programa da TVI era de trás para frente, aqui é da frente para trás: um conjunto de mulheres à disposição de um homem-agricultor, de entre as quais ele tem de escolher para namorar (no fundo, encontra-se este também enraizado no machismo, sexismo, e no ridiculo(-ismo)).

Claro que as mulheres que participam nestes tipo de programas têm a sua quota parte de idiotice, a troco de quê? Dois minutos de fama?!

E querem saber o mais irónico? No meio desta guerra de audiências entre a SIC e a TVI, este tipo de programas estrearam pouco depois de muitos de nós festejarmos o Dia da Mulher, dia esse que deveria servir de bússola para toda a sociedade, no sentido de nos nortear no caminho da igualdade de género. Infelizmente, o primeiro domingo após a celebração deste importante dia, foi manchado com um retrocesso temporal, para quando a mulher não tinha outra função do que: servir para dar filhos ao homem; cuidar dos filhos; cuidar da casa; e cuidar do homem. É simplesmente triste e dececionante.

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